Startup Finance 101: Está precificando ou valorando sua startup?

valuation

* Por Adam Patterson

“Um cínico é um homem que sabe o preço de tudo, mas o valor de nada. “
– Oscar Wilde

Algo que talvez seja surpreendente para muitas novas startups: a maioria dos investidores early-stage não realizam estudos de avaliação extensos e complexos, preferindo se concentrar nas necessidades de caixa para os primeiros 12 ou 24 meses e calcular uma participação razoável considerando rodadas futuras. Isso parece sensato.

Infelizmente, algumas vezes as negociações podem assemelhar-se a um jogo de poker: quem tem a melhor carta na mão? Pelo contrário, o objetivo das negociações entre investidores e empresários deveria ser para compartilhar informações de forma transparente e alinhar expectativas para trabalhar juntos rumo ao mesmo objetivo: construir empresas de sucesso.

Em geral, o jogo de Venture Capital é um “jogo de preços”, onde o foco é sobre o quanto a empresa pode ser vendida em um potencial “exit” em vez do valuation em si, que se baseia nas características inerentes da empresa – sua capacidade de gerar fluxos de caixa positivos futuros ajustados para o risco.

Por que valuation é importante? No momento do investimento, a avaliação é o principal determinante do retorno para os investidores, ou seja, uma maior valorização das ações que recebem em troca de seu capital. Compreender a avaliação é essencial para um investimento bem-sucedido. Neste post eu gostaria de mapear algumas das formas comuns usadas para “precificar” uma startup e falar sobre como o valuation “real” pode ajudar a dar uma terceira dimensão para os investidores e startups sobre caminhos de crescimento futuro.

Método de Dave Berkus

Desenvolvido pelo reconhecido investidor anjo, Dave Berkus, este método atribui uma gama de valores para o progresso que os empreendedores fizeram em suas atividades de comercialização, a soma se torna a avaliação da empresa (visão pre-money).

Método do Scorecard

O método de avaliação Scorecard é talvez o mais popular entre os grupos de anjos nos Estados Unidos. Este método ajusta o valuation pre-money mediano para transação de startups em uma determinada região e setor do negócio com base em sete características da empresa.

Método de Sumário do Fator de Risco

Este método compara as 12 características da empresa-alvo com o que poderia ser esperado em uma startup financiada e é descrita no seguinte. Este método é interessante porque exige que os investidores considerem um conjunto muito mais amplo de características de empreendimentos de do que outros métodos.

Método “Venture Capital”

A ideia básica é projetar receitas ou ganhos em um período de curto prazo até um potencial evento de “exit” e, em seguida, multiplicar esse valor por um múltiplo comparável dos mercados públicos recentes para chegar a um valor futuro de “harvest”. Isto é descontado então à um target-rate, geralmente elevado, ou em um ROI absoluto exigido para chegar aos pre e post-valuations. Veja um exemplo:

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Também podemos aplicar múltiplos simples de empresas públicas comparáveis para estimar preços. De fato, de acordo com uma pesquisa da Harvard Business Review, “a grande maioria dos investidores de private equity incorporam múltiplos de empresas comparáveis”.

Fluxo de caixa descontado (FCD)

Na maioria das vezes, quando as pessoas falam sobre o “valuation” de startups, elas estão falando sobre precificação com base em umas das abordagens acima. Mas como afirmou a Mckinsey, a principal consultoria de negócios do mundo: “Métodos-atalhos não podem explicar as características únicas de cada empresa em um ambiente de rápida mudança e fornece poucas informações sobre o que determina o valuation. Poderia soar um pouco old school para aplicar a avaliação de fluxo de caixa descontado para startups, mas ainda é o método mais confiável.”

Ao meu ver o FCD, quando usado em conjunto com uma abordagem mais ampla de triangulação de mercado, é uma ferramenta robusta de avaliação de startups e ajuda os startuppers (e investidores) a fornecer informações não apenas sobre valor intrínseco, mas também uma compreensão holística do modelo de negócios e ambiente econômico externo. Na verdade, é difícil valorar novas empresas que não têm fluxos de caixa positivos ou mesmo receita, mas o DCF é simplesmente um financiamento correto.

Na prática, o valor só pode ser um guia para a determinação do preço. O real pode ser maior ou menor, com base em uma gama de fatores tanto quantitativos como qualitativos (como a qualidade da equipe, transações semelhantes e o equilíbrio ou desequilíbrio entre a demanda e a oferta de dinheiro).

Isso não quer dizer que modelos de preços não tem um papel fundamental. Como sempre para todas as questões complexas raramente há uma única resposta. Podemos – e talvez devemos – empregar ambos métodos.

No entanto, técnicas de avaliação fundamentais podem ajudar a fornecer uma dimensão adicional, ligando o planejamento financeiro aos value-drivers (Value Based Management), podemos obter uma visão ampla do negócio e novos projetos e parafrasear Oscar Wilde, entender o valor de tudo, até mesmo startups.


Adam linkedin Adam Patterson é economista britânico, graduado em Ciências Políticas e Estudos Parlamentares pela Universidade de Leeds e pós-graduado em Economia e investimentos pelas universidades de Londres e  o Instituto Real de Investimentos do Reino Unido. Trabalhou na equipe de valuation do HSBC e no parlamento britânico.  Adam é sócio-fundador da ALFA Valuation, empresa especializada no valuation e planejamento financeiro de startups. A ALFA foi idealizadora e criadora da ferramenta i-Valuation, o pioneiro portal online para o valuation de startups & PMEs no Brasil.

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