Saiba como a Cisco está trabalhando com IoT e suas iniciativas para os empreendedores desse mercado

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A América Latina enfrenta importantes desafios em termos de desenvolvimento e competitividade, mas ao mesmo tempo tem a grande oportunidade de repensar o futuro e avançar em ritmo mais rápido. A próxima fase da Internet, a Internet de Todas as Coisas (do inglês Internet of Everything – IoE) – uma espécie de “sistema nervoso” global de redes que conectam pessoas, processos, dados e coisas – oferece possibilidades de transformação para a região, com importantes consequências em termos de desenvolvimento, emprego e competitividade.

Durante o Cisco Live, evento que aconteceu na última semana em Cancun para discutir as inovações da Cisco em diversos mercados, Ned Cabot, Diretor de Digitalização para as Américas, mencionou que em 2014, 24% das coisas eram conectadas e em 2019, esse número será de 43%.

ciscolive

Jordi Botifoll, VP da Cisco e Presidente para América Latina, escreveu um artigo dizendo que existe um potencial incrível para conectar o que hoje está desconectado. A Cisco estima que US$19 trilhões podem ser gerados nas próximas décadas, impulsionados pela conexão de pessoas com pessoas, pessoas com máquinas, máquinas com máquinas, tudo por meio da Internet de Todas as Coisas.

Para entender a visão da Cisco para IoT, conversamos com Severiano Macedo, Especialista em soluções IoT da Cisco Brasil. Ele contou que estão trabalhando um novo modelo chamado digital trasformation, e que não olham mais portfólio, mas sim para o processo de transformação das empresas, preparando-as para esse novo desafio, em que a todo momento nascem novas empresas ameaçando não só as grandes empresa, mas sim a cadeia de valor como um todo.

Ele cita como exemplo o Napster, que destruiu a indústria da música, e abriu as portas para o Itunes e Spotify. “O fato é que o mercado de música foi totalmente modificado, não existe mais a venda de CDs. Estamos vivenciando um momento crítico onde as empresas não competem mais entre elas, mas sim com novos negócios que revolucionam todo o mercado”, destaca Severiano.

Já sabemos que Big Data, Machine Learning e IoT são as grandes apostas do futuro e segundo o executivo, estamos vendo agora a aplicação dessas tecnologias para os novos negócios, com a redução dos custos e melhoria da eficiência operacional entrando em governos, empresas e escolas.

Ele comenta que no Brasil veremos uma aceleração muito grande na área de iluminação pública, e na medição de energia elétrica, que não será mais medida pelos leituristas que passam pelas casas mensalmente, mas sim por aplicativos  online. Outro mercado que está passando por uma transformação é o automotivo, hoje as pessoas não compram mais um carro pelo motor, mas sim pela mídia que vem junto com o carro.

No vídeo abaixo, Ned Cabot, fala sobre como os carros autônomos irão impactar o mercado.

 Para a Cisco, existem seis pontos muito importantes que fazem os pilares de IoT e o primeiro deles é a conectividade, mas Severiano destaca que se você tiver só conectividade, você tem Machine to Machine e não IoT. Na visão da Cisco também é muito importante ter um analytics, pois são tantas coisas que vamos conectar que você não pode simplesmente pegar essas informações e transferir para o Data Center. “Estamos falando de 50 bilhões de objetos conectados em um universo onde existem 7 bilhões de pessoas”.

As pessoas tem capacidade de gerar reports, mas precisam dormir, comer, descansar e cuidar da casa, já as coisas não, um sensor mede a temperatura 24/7 bem como uma  câmera e um medidor. Então as coisas não são só maior quantidade do que pessoas, mas possuem também uma capacidade muito maior de compartilhar dados. Portanto, Severiano afirma que você precisa ter garantia de data analytics e fog computing, neblina, que vem de cloud, que é a capacidade de pegar e analisar as informações e transmitir apenas eventos, pois se não tiver nada acontecendo, não existe a necessidade de transmitir dados, entretanto você não faz isso em Datacenters, você faz em switcher e access points distribuídos pela cidade. Para isso, você precisa de uma plataforma, por isso o quarto pilar de IoT é application enablement, um sistema aberto com iOX, o iOS da Cisco, onde qualquer empresa parceira da Cisco pode desenvolver uma aplicação.

Outro pilar importante é o gestor de aplicação, vocês devem concordar que dá trabalho manter todos os seus apps atualizados no seu smartphone, agora imagina, por exemplo, se você tem cinco mil ônibus rodando, 2 roteadores em cada um deles e você precisa atualizar esses apps dentro dos ônibus, o que você faz? Não é possível trazer todos eles para a garagem, você não irá gerenciar 1 a 1, e para isso, você tem uma plataforma que gerencia essas aplicações.

Outro pilar, e segundo Severiano, o mais importante é a segurança. Ele comenta que essa parte está sendo muito negligenciada pelo mercado, pois hoje qualquer um pode desenvolver sensores e chips e quando isso é plugado em uma rede, você está abrindo uma porta para o seu sistema. Quem se lembra do recentemente ataque nos EUA em que usaram DDoS para derrubar a internet dos Estados? E nem precisamos ir tão longe, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro terminaram sem nenhum grande incidente cibernético, mas não por inércia dos hackers. De acordo com a Cisco, responsável pelos equipamentos de rede e serviços corporativos da competição, foram registrados 4,2 milhões de eventos de segurança, sendo que 731.607 tentativas de ataques de negação de serviço foram bloqueadas.

Na proteção de todos os sites públicos oficiais e aplicativos móveis da Olimpíada, a Cisco e seus parceiros de segurança detectaram 40 milhões de eventos de segurança, bloquearam 23 milhões de tentativas de ataque e mitigaram 223 ataques distribuídos de negação de serviço, além da detecção e bloqueio de milhares de malwares, ações de phishing e domínios falsos.

“Um risco muito grande para as organizações é não tomar cuidado com a questão de segurança em IoT, afinal, estamos falando de 50 bilhões de dispositivos conectados, e cada um desse dispositivo pode ser um soldado de um exército para fazer um ataque e não adianta você ter firewall, pois muitas vezes isso está dentro da sua rede”, argumenta Severiano.

Para ele, o Brasil está um pouco atrasado no quesito segurança comparado com outros mercados. Ele conta que a Cisco está discutindo bastante com a ANEEL, Agência Nacional de Energia Elétrica através da UTC – Utilities Technology Council e que juntos fizeram recentemente um workshop para discutir a questão da segurança, principalmente no setor elétrico.

“Somos atacados o tempo todo, mas muitas vezes não percebemos, por exemplo, se você colocar um sistema de segurança no seu roteador residencial, você verá que o tempo todo existem entidades atacando, muitas vezes são ataques cuja consequência é semi inofensiva, mas ela existe”. Ele também destaca que hoje o que tem de mais perigoso são as tentativas de fishing, onde te mandam um email com um arquivo e você acaba clicando

Para isso, ele afirma que a questão cultural é muito importante. “Não adianta ter um sistema de segurança avançado do nível dos bancos e do setor industrial se as pessoas vão lá e anotam uma senha num post it e deixam do lado do computador. Não precisamos só de uma mudança na regulamentação, mas sim uma mudança cultural”.

Desafios para desenvolver IoT

Hoje temos a possibilidade de pegar um processo, conectar com sua cadeia de fornecedores, logística e varejo de forma com que, por exemplo, você passe a ter todas as informações das gôndolas do mercado para saber a taxa de venda ou saída do seu produto. “IoT não é ter informação fechada, é disponibilizar informações na internet integrando toda sua cadeia de valor”.

Severiano destaca um ponto interessante, segundo ele, temos muitas tecnologias disponíveis, porém existe uma ameaça muito maior para as empresas com a falta de mão de obra para suportar tecnologias legadas do que para as novas tecnologias. “Hoje qualquer adolescente é capaz de programar e desenvolver um app para celular, qualquer engenheiro formado entende de rede, mas se você precisar de um engenheiro com conhecimentos de tecnologias legadas, como por exemplo, redes  SDH, STM-1 isso não existe mais, os alunos não aprendem mais isso na faculdade. Existem diversos processos de empresas que estão rodando em Windows Xp, e não vou trocar”.

Severiano conta que durante sua época de faculdade, há 20 anos, o sonho do engenheiro era trabalhar em uma grande empresa como Petrobras, Votorantim ou Furnas, já hoje, se você perguntar aos universitários onde eles querem trabalhar, a grande maioria responderá que deseja abrir seu próprio negócio ou trabalhar em empresas como o Facebook. Fica o questionamento, será que as empresas tradicionais vão conseguir atrair mão de obra? Terão ambiente de colaboração?

Próximos passos

Estamos falando de uma nova era tecnológica, depois da energia a vapor, produção de massa, processo de automação de processos, estamos falando de integração de cadeia de valor. Severiano destaca que tem visto empresas que estão aceleradas, e que veremos um processos de consolidação grande no mercado onde empresas irão adquirir seus concorrentes. “Pesquisas afirmam que, daqui há cinco anos, quatro em dez empresas já não vão existir e isso não é difícil de acontecer. Se pegarmos o setor de telecomunicações, por exemplo, podemos notar quantos players existiam há 10 anos, e quantas empresas gigantescas fecharam suas portas”. A velocidade com que isso está acontecendo também está muito mais rápida e o custo para fazer inovação diminuiu bastante, hoje, um aluno, jovem pode desenvolver apps de dentro do seu quarto, e muitas vezes, esses apps quando lançados no mercado são capazes de fazer disrupção em cadeia de valor.

“Fazer inovação hoje em dia está muito barato e rápido, hoje não dá mais para as empresas esperarem. Se você não aproveitar das oportunidades para otimizar o seu negócio, você certamente será engolido pelos seus concorrentes ou pelas startups”.

Severiano aconselha a leitura do livro Digital Vortex, que conta com um estudo feito pela Cisco que destaca quais as empresas estão mais ameaçadas. Ele fala que os setores que estão muito envolvidos com a questão de IoT são: manufatura, energia, automobilístico, transporte e smart cities, que estão tentando resolver problemas que são básicos.

Outra questão de ameaça no mercado é a questão spectrum, pois todas essas tecnologias de IoT envolvem de alguma forma algum tipo de comunicação, muitas vezes wireless, e infelizmente, a maioria dos desenvolvedores das startups e das empresas acreditam que spectrum é uma coisa infinita e que não devem se preocupar, mas no entanto, spectrum é uma das coisas mais valiosas que nós temos, por isso que as operadoras de telecomunicações pagam bilhões para poder adquirir uma banda de 10 Megahertz de spectrum. “Se você abrir seu note, verá mais de 20 redes, vamos começar a ter dispositivos de IoT disputando pelo mesmo spectrum, da mesma forma como esgotamos os endereços IPs, isso é um grande desafio. Precisamos controlar o spectrum, entender quais são as redes, quais são suas necessidades e fazer uma engenharia para se ter uma rede física única, mas virtualmente independente”.

Segundo Severiano, não podemos falar de IoT com endereçamento IPv, pois sabemos desde início que não é suficiente, precisamos falar de IPV6 desde o início, o que é outra barreiras que  precisamos analisar para poder acelerar o processo por aqui.

Como a Cisco ajuda os empreendedores que estão desenvolvendo IoT?

“Ninguém faz IoT sozinho”, enfatizou Severiano. Para isso, a Cisco conta com a plataforma DevNet, um programa para desenvolvedores, com acesso a um mundo de informações para o desenvolvimento de APIs.

A empresa também conta com um centro de inovação no Brasil, o COE, voltado especificamente para auxiliar a população, o espaço conta com engenheiros, equipes especializadas, acesso a muita informação e um Data Center próprio com todas as tecnologias Cisco. “Os os empreendedores podem ter acesso ao espaço junto com algum cliente e de repente, trazer um problema para juntos desenvolvermos uma solução”.

A empresa também faz periodicamente parcerias formais com hubs de inovação e organizações que fomentam o ecossistema, como o Cubo, por exemplo, que completou recentemente um ano e conta com a Cisco como parceira oficial desde sua abertura. “Estamos dentro do Cubo oferecendo tecnologia, conhecimento, participando de eventos sempre no sentido de desenvolver um ecossistema para justamente oferecer ao parceiro a capacidade de estar ali, no time to marketing”.

A Cisco, multinacional norte-americana, é uma das maiores empresas de tecnologia do mundo e, como tal, tem voltado seus esforços há vários anos para o foco na inovação, empreendedorismo e, mais importante, o fomento deste ecossistema. Também conversamos com Nina Lualdi, Diretora Sênior de Inovação para América Latina da Cisco, que explicou todas as iniciativas da companhia para ajudar os empreendedores. Para ler a matéria completa clique aqui.

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